Páginas

terça-feira, 30 de agosto de 2016

"Um Condenado à Morte Escapou", de Robert Bresson (1956)


C. N.

 

Como se disse em Cinema: arte liberal, arte do belo (e um filme de Robert Bresson), o primeiro objeto da arte do belo é a proposição mental que é significada ou simbolizada por uma obra bela. Pois bem, a proposição simbolizada por esta estupenda película de Bresson é O vento sopra onde quer” (de João 3, 8: “O vento sopra onde quer, e ouves sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”). Veja-se o filme (aqui só pude postar seu trailer), e comprovar-se-ão tanto seu conseguimento quanto ao duplo objeto da arte como sua devida ordenação ao fim desta.  Uma última coisa: a música de Mozart (sua Missa em dó menorpontua perfeitamente a película.



O agnóstico Ingmar Bergman fala de "O Sétimo Selo" e de Deus


C. N.


Eis uma película que cumpre perfeitamente o duplo objeto da arte, mas falha quanto a seu fim. Para entender o que digo, leia-se Cinema: arte liberal, arte do belo (e um filme de Robert Bresson), e escute-se o que o mesmo Bergman (sem dúvida um cineasta maior) diz neste breve trecho de um documentário. Para o final deste mesmo documentário (o que não aparece aqui), dirá Bergman que se considera a si mesmo uma sorte de demônio. É de estarrecer.


sábado, 27 de agosto de 2016

Ferrer-Dalmau, talvez o maior pintor da atualidade


 C. N.

Realista, Augusto Ferrer-Dalmau Nieto (Barcelona, 1964) sobressai especialmente nas pinturas em que retrata os carlistas em combate, às quais imprime força épico-católica. Visite-se o site sobre sua obra, no endereço http://www.arteclasic.com/, e especialmente a sessão “Óleos”; e procure-se no Google “Ferrer-Dalmau – imagens”. O que se verá – e em que quantidade! – falará por si. 





“Céu e Inferno”, de Akira Kurosawa: filme de fundo cristão e dos maiores já feitos


C. N.

Se nos ativermos às críticas e resenhas feitas sobre Céu e Inferno (天国と地獄, Tengoku to jigoku, 1963), do mestre Akira Kurosawa, teremos a convicção de estar diante de um filme americanizado, no estilo policial ou noir (e, com efeito, sempre se acusou a Kurosawa de ser americanizado). Mais que isso, porém: segundo o mais puro marxismo, teria o filme por objeto mostrar as desgraças causadas pela divisão da sociedade em ricos e em pobres. Naturalmente, também isso mostra o filme, mas no preciso sentido de que, como diria Santo Tomás de Aquino, na miséria não pode haver vida espiritual. Sucede, todavia, que este é como um mero motivo para o eixo da história: a luta entre a virtude (que o personagem principal, vivido por Toshirō Mifune, desenvolve ao longo do filme) e o mal, e, enfim, entre o céu e o inferno (o que se mostrará perfeitamente na impressionante cena final). – Kurosawa não era católico, e sempre oscilou entre o budismo e uma sorte de desespero teológico (como em Ran). Mas nesta adaptação de um romance policial do norte-americano Ed McBain, construída de fato, na superfície, como um drama policial, Kurosawa produziu – pela razão que seja – uma obra de fundo cristão. Veja-se a película e constatar-se-á. Quem já viu Kagemusha (de 1980) terá observado o desprezo com que os missionários católicos eram tratados de início pelos senhores da guerra, e as consequências trágicas da ação destes, movida quase sempre por ambição e por inveja. Em Tengoku to jigoku, porém, não se trata de alusão marginal à religião, mas de pôr a luta entre a virtude e o mal e entre o céu e o inferno no centro do próprio filme, da maneira assinalada. E raramente o cinema atingiu de modo tão perfeito o fim da arte: fazer tender ao bem e ao verdadeiro mediante o belo e fazer afastar-se do mal e do falso mediante o horroroso.        

Trailer de "Kagemusha, a Sombra de um Samurai" (1980), uma das obras-primas de Akira Kurosawa


C. N. 

Trailer de Kagemusha, a Sombra de um Samurai (1980), uma das obras-primas de Akira Kurosawa. Verdadeira e imponente tragédia guerreiro-psicológica, é muito superior quanto ao fim da arte a seu Ran, uma, digamos, “tragédia teológica” (baseada em Rei Lear, de Shakespeare). Mas, como em Ran, tudo aqui é perfeito tecnicamente: atores (especialmente o impressionante ator principal, Tatsuya Nakadai), cores (nunca se tinham visto cores assim no cinema), música (de Shin’ichirō Ikebe), etc.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A mais bela cena do filme “Ben-Hur”, de William Wyler.


C. N.


Por esta cena (vide João 4, 13-14: “Jesus respondeu: ‘Quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna’”), por esta cena, digo, e pelo filme como um todo se entende por que disse Pio XII que o cinema “poderia ter sido” a maior das artes. Porque, com efeito, nesta mesma e imponente película se imiscuiu o mal. O roteirista do filme, o terrível Gore Vidal, alterou radicalmente duas coisas com respeito ao livro original: insinuou, ainda que imperceptivelmente para a maioria das pessoas, uma relação homossexual entre Ben-Hur e Messala; e eliminou o final do livro, ou seja, a conversão a Cristo do príncipe judeu Ben-Hur, limitando-se à cura milagrosa de suas parentes leprosas. Há outros problemas, ademais; mas baste aqui o dito.


Cena da expulsão dos mouros no filme “El Cid”, de Anthony Mann


C. N.

El Cid cavalga já morto contra os mouros. Note-se em especial o rei e outros cavaleiros ajoelhados ao final e rogando a Deus: “Receba este que foi o mais nobre dos cavaleiros”. Charlton Heston é o ator épico por excelência, e Sophia Loren encarna perfeitamente Ximena, a mulher de El Cid. Ainda de destacar, a música da película, do grande compositor húngaro Miklós Rózsa. – Em tempo: o filme baseia-se na peça de Pierre Cornaille Le Cid, e não na epopeia original anônima El cantar de mio Cid
     Em certa cena, tem-se já um um odor de ecumenismo (há outro problemas, que porém não tratarei aqui). Por outro lado, porém, é verdade que El Cid conseguiu o apoio de certos chefes mouriscos minoritários contra os majoritários, assim como o Rei São Luis tentou atrair a aliança dos mongóis contra os turcos (infelizmente morreu, e seu filho e sucessor no trono não deu prosseguimento ao plano). E veja-se na parte final, na qual o rei, ajoelhado, roga a Deus que receba El Cid, que também o chefe mouro aliado está ajoelhado, ou seja, em posição cristã. E eis o grito de guerra da batalha final, dado pelo rei: “Por Deus, por El Cid, pela Espanha!”

terça-feira, 23 de agosto de 2016

“Nostalgia”, de Andrei Tarkovski

Andrei Tarkovski

C. N.
(novembro de 2002)

Prometi, há uns dias, falar de certos filmes; não recordando agora, porém, quais fossem, tratarei aqui de Nostalgia (Nostalghia), do russo Andrei Tarkovski.
Quanto ao Russo, sintetizam-no estas palavras do grande cineasta sueco Ingmar Bergman: “Tarkovski tem a chave de uma porta cinematográfica que nunca consegui abrir”. Que porta? A porta que eleva a arte a Deus, dado que, ao contrário do agnóstico e atormentado Bergman, Tarkovski tentava ordenar-se ao Criador, a Cristo, além de contar-se entre os maiores artistas de todos os tempos.
Este filho de um grande poeta russo estava exilado da URSS quando realizou Nostalgia com a equipe de Bergman. Por encomenda do estado soviético, dirigira ele Solaris, uma ficção científica com que a burocracia pretendia rivalizar com um filme norte-americano ambíguo, falho, nietzschiano-gnóstico, mas de sucesso internacional: 2001 – Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.[1] De fato, Solaris também obteve êxito internacional, mas por razão inversa à esperada pela burocracia: com música de Bach para os momentos agudos, o filme é uma dramática paráfrase da Parábola do Filho Pródigo, construída em ritmo litúrgico. E já quando, junto com seu ator principal, reside Tarkovski na Itália, morrendo de saudade do filho, lacerando-se de nostalgia da pátria, de seus campos (ele era de classe média camponesa), de sua relva penteada pelo Sopro de Deus, e preparando-se para filmar Nostalgia, descobre que ele e seu ator têm, ambos, câncer de pulmão. Tristeza rói e mata. Logo o amigo falece, e ele, aos 40 anos, em 1979, também é desenganado pelos médicos. Mas Tarkovski abre-se, ao fim de sua carreira, e infelizmente, a experiências e a doutrinas “esotéricas” do Oriente, o que porém ainda não se refletirá em Nostalgia.[2]
Pois Nostalgia é, precisamente, a história de um poeta russo que se encontra na Itália. (Contarei a história porque, evidentemente, a fruição dos filmes de Tarkovski não depende de nenhum elemento-surpresa, conquanto tenha perfeita ciência, por outro lado, de que nenhuma arte é nem sequer razoavelmente traduzível de modo prosaico: só na relação direta com cada espectador, ou com cada contemplador, ou com cada leitor, ou com cada ouvinte pode a obra de arte dar-se inteira, em toda a sua complexidade simbólica e parabólica.) Está o poeta russo, prossigo, gravemente enfermo do coração, e é ciceroneado por uma jovem loura — muito bela, e fútil — que se apaixona por ele. Ainda no início da narrativa, dirigem-se os dois a uma igreja românica de pedra, a de Nossa Senhora do Parto. E a certa altura, com a câmera fixa na jovem, ouve-se a voz do sacristão, que insiste e insiste em que ela se ajoelhe. Esta voz representa “os gemidos inefáveis de Deus” na alma do pecador renitente, e de fato a moça não consegue dobrar-se para o ato de submissão ao Senhor; é cena tensa, a expressar todo o drama da salvação/condenação. Em seguida se passa para uma fiel coberta de véu negro, a qual, diante da imagem da Virgem do Parto, e cercada de intenso vermelho produzido pela chama de muitas velas, lhe roga fertilidade, enquanto lhe abre a veste — sai, então, do ventre da Virgem uma revoada de passarinhos, adejando Vida. Muda-se a cena para o exterior da igreja, onde o poeta russo, olhando, melancólico, para um chão coberto de bruma, recebe sobre si uma pena que cai lentamente — fina metáfora da descida da Graça sobre o pecador, cujos fins e resultados se verão ao longo do filme.
Avança o filme entre recordações doídas mas belas de sua terra natal, de sua família, de seu cão pastor, e o poeta russo acaba por conhecer, numa terma,[3] um louco, que uns dizem santo, e que profetiza o fim do mundo, o fim do planeta. Para evitá-lo, diz o louco ao russo, é preciso que alguém se exponha ao sacrifício, ao ridículo de atravessar a terma seca com uma vela acesa na mão; ele próprio, o louco, não o pode fazer, porque não lho permitiriam. Muitas cenas depois,[4] o louco imola-se, entre chamas, ostentosa e infrutiferamente, pela salvação da Terra. O poeta, porém, entendendo já a essência e o fim do sacrifício (que ou será cristão, ou não será verdadeiro sacrifício), acaba por assumir o ridículo de, como louco de Deus, atravessar a terma seca com a vela acesa. Está tocado pelo Espírito.
Temos, então, dez minutos de lenta travessia da terma, travessia cheia de idas e voltas (cada vez que se apaga a vela, torna o poeta ao ponto de partida). É aqui, nesta cena máxima do cinema — filmada em plano-sequência (ou seja, sem cortes e com a câmara em movimento, aqui, lento), ao som do ofegar do atravessador e, ao final, com progressivo close das mãos com a vela[4] —, que se revela quão impregnado estava Tarkovski do ritmo litúrgico. Símbolo solene, conquanto remoto, do sacrifício de Cristo, esta cena o é também, e sobretudo, do sacrifício de cada cristão e da sua travessia para a morte: quando finalmente chega a seu termo, o poeta russo solta um grito abafado, e cai morto de infarto.
(Vide a cena.)
E eis-nos diante da última cena, em que a câmera fixa o poeta (sua alma, ou ele inteiro e ressurrecto — como sabê-lo?) semideitado diante de um muro de antiga catedral italiana, tendo por companhia o cão pastor. Permanece tudo estático por algum tempo, quando, de súbito, começa a nevar: amalgamam-se, assim, na vida perdurável, as pedras cristãs da Itália e a neve da amada Rússia. Regenerou-se, misteriosamente, toda a criação. E acabou-se o exílio. Está-se já, e para todo o sempre, na Pátria. 
____________
[1] O qual porém tem uma sequência antológica: o baile dos astros ao som de Danúbio Azul, valsa de Johann Strauss.
[2] Tal só sucederá em seu último filme, Sacrifício, em que todavia ainda se vê nítido fundo cristão.
[3] Um estabelecimento de águas medicinais que fora frequentado por Santa Catarina de Sena.
[4] Entre elas há uma, passada no quarto do hotel onde se hospeda o poeta, na qual a loura lhe exibe fugazmente um seio (coisa desnecessária), sem que ele ceda à sua insistência amorosa. [Quanto ao nu no cinema, ainda quando fugaz e envolto em penumbra e em halo artístico como aqui, é sempre nefasto e, repita-se, desnecessário. Trato-o detidamente em Das Artes do Belo: Essência e Fim, por publicar.] 
[5] O término deste close é o ápice sublime da cena, e lembra a gravura Mãos em Oração, de Albrecht Dürer.

domingo, 21 de agosto de 2016

A obra-mestra de Gustav Mahler: “Symphonia n. 2 – Resurreição" (Claudio Abbado, Lucerne Festival Orchestra)


C. N.

Assim como não ouviríamos esta magnífica e complexa sinfonia sem que a tivesse feito o compositor, e sem que uma orquestra a executasse sob a regência de um maestro enquanto representante do compositor, assim tampouco o universo existiria sem que o tivesse criado a causa primeira – Deus –, e sem que os entes o executassem sob a regência das causas segundas enquanto representantes de Deus. E, com efeito, se do ângulo do espaço o universo é como um grandíssimo afresco, do ângulo do tempo é como uma longuíssima sinfonia. 

Em setembro e em outubro, dois cursos de Carlos Nougué sobre tradução



O que é a tradução literária


Tradução do espanhol ao português


Página inicial: 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Arvo Pärt, "Vater unser" (Pai-nosso), com Heldur Harry Põlda (rapaz soprano) e Arvo Pärt (piano)



Heldur Harry Põlda

Arvo Pärt, The Beatitudes - De levar à oração

Arvo Pärt - I Am the True Vine (Eu sou a Videira verdadeira) - Polifonia clássica, com certo influxo de Allegri

Arvo Pärt - Nunc dimittis - Aos céus

Arvo Pärt - Even if I Lose Everything (2015) - Um artista em toda a extensão do termo

"Lamento de Adão", de Arvo Pärt - Obra-prima

domingo, 14 de agosto de 2016

Divulgação do livro "Estudos Tomistas - Opúsculos"

Dois novos cursos (pagos) de Carlos Nougué


C. N.

Em outubro e em novembro terão início dois novos cursos on-line meus:
• em outubro, História da Música Erudita Ocidental (litúrgica e profana) (clique aí para todas as informações); 
• em novembro, História da Filosofia: Do Impulso Grego ao Abismo Moderno (clique aí para todas as informações).
O primeiro já o ministrei presencialmente. O segundo é o mesmo curso iniciado anos atrás e suspenso por motivos de doença. Vem agora em formato mais exequível para o atual momento; e com sua retomada como que pago uma dívida.
Anuncio-os desde já para que os interessados já se possam ir programando em todos os sentidos. Ademais, é o tempo de que terei necessidade para gravar tantas aulas (ao todo, 48).
Como quer que seja, parece-me que com estes dois novos cursos* dou grandes passos em direção à meta que estabeleci para minha velhice: não só percorrer mas ajudar a percorrer a longa estrada que conduz à Sabedoria.

Novo curso (pago) de Carlos Nougué (para outubro): «História da Música Erudita Ocidental (litúrgica e profana)»


História da Música Erudita Ocidental
(religiosa e profana)

Curso on-line de 24 horas ministrado por 
Carlos Nougué

[Curso já ministrado presencialmente e fundado
em nosso livro Das Artes do Belo, por publicar-se.]


“A música não tem por fim senão louvar a Deus e recrear a alma
(dentro de justos limites). Quando se perde isso de vista, já não pode haver
verdadeira música, e não restarão senão barulhos e gritos infernais.”
Joahnn Sebastian Bach


[Comunicado 1]

Novo curso (pago) de Carlos Nougué (para novembro): «História da Filosofia: Do Impulso Grego ao Abismo Moderno»


História da Filosofia:
Do Impulso Grego ao Abismo Moderno

Curso on-line de 64 horas ministrado por 
Carlos Nougué

[Trata-se do mesmo curso iniciado anos atrás
e suspenso por motivos de força maior.
Vem agora em formato mais exequível
para o atual momento.]


 “A felicidade última do homem está na contemplação da Verdade.”
Santo Tomás de Aquino


[Comunicado 1]

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Arvo Pärt: Como anhela la cierva/Como cierva sedienta (original version, 1998) - Obra-mestra

Diz o Salmo:
"Assim como a corça suspira pelas fontes das águas, assim minha alma suspira por ti, ó Deus."



Year of composition:
1998/2002
Scored for:
for soprano or female choir and orchestra
Composer:
Text Source:
Bible, psalm 41 or 42
Original Language:
Spanisch
Choir:
SA (unisono)
Soloinstruments/Soloists:
soprano
Instrumentation:
3 3 3 3 - 4 2 3 0 - timp, perc(5), hp, str
Instrumentation details:
piccolo

1st flute
2nd flute (+alto fl)
1st oboe
2nd oboe
cor anglais
1st clarinet in Bb
2nd clarinet in Bb
bass clarinet in Bb
1st bassoon
2nd bassoon
contrabassoon
1st horn in F
2nd horn in F
3rd horn in F
4th horn in F
1st trumpet in C
2nd trumpet in C
1st trombone
2nd trombone
3rd trombone
timpani
percussion(5)
harp
violin I
violin II
viola
violoncello
contrabass


Commissioned by:
Obra escrita por encargo de 

15° Festival de Música de Canarias 1999
Remarks:
Former title: Como anhela la cierva
Duration:
30′
Dedication:
für Caecilia

Arvo Pärt, o mestre da música (e música religiosa) contemporânea: Passio / St. John Passion (Hilliard Ensemble)