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sábado, 1 de outubro de 2011

Bruckner: música maior e católica em meio ao romantismo




C. N.

Por absoluta falta de tempo, infelizmente há muito não escrevo para o “A Boa Música”. Como ainda não o posso fazer longamente, ao menos consigno aqui algumas palavras de outros sobre o compositor que, abaixo apenas dos estritamente litúrgicos, mais me toca a alma: o austríaco Anton Bruckner (Ansfelden, 4 de setembro de 1824-Viena, 11 de outubro de 1896).

• Do maestro Wilhelm Furtwängler (de tendências românticas e idealistas): “Só cronologicamente se pode dizer que Bruckner faz parte do romantismo. Na verdade, é um gótico [ou seja, católico de antigamente]”;
• Do maestro Eugen Jochum (católico, austríaco e organista como o compositor): Bruckner [...] é cheio do calor e da vivacidade da paisagem austríaca e do caráter austríaco; mas o que se acha por trás de seu modo de fazer música é uma devoção e uma proximidade divina tingida de misticismo que, nos marcos da música europeia, só podem ser encontradas em Bach”;
• Do brasileiro Lauro Machado Coelho, que deu à sua biografia de Bruckner o seguinte título: “O Menestrel de Deus”;
      • Do historiador da música Otto Maria Carpeaux: “[Bruckner escreveu] sinfonias cujo conteúdo é o mesmo de sua música sacra. [...] O céu parece abrir-se para recebê-lo em seus braços misericordiosos quando ouvimos esse trecho máximo [de seu Te Deum] que é o Non confundar in aeternum;
• Do próprio Bruckner: “Quando o bom Deus me chamar para Lhe prestar contas do uso que fiz da minha vida na terra, eu Lhe mostrarei a partitura do meu Te Deum e Ele há de me julgar com misericórdia”.

Recomendamos muito especialmente:

• Quase toda a sua profunda e tocante música religiosa (três Missas, o Te Deum, diversos motetos, etc.) com o maestro Eugen Jochum;
• Suas nove sinfonias (sua Oitava, como dizem muitos, incluído o maestro romeno Celibidache, é o cume da arte sinfônica) com o mesmo maestro Eugen Jochum (a meu ver, são obras-primas únicas e sem-par, de caráter épico-religioso, suas sinfonias Quinta, Sexta, Sétima e Oitava; as demais, porém, não deixam de ter grande importância e beleza; acerca de todas, incluídas a 0 e a 00, escreverei um dia detida e detalhadamente);
• Sua Sétima Sinfonia transcrita para órgão e executada por Ernst-Erich Stender;
• Sua Oitava Sinfonia transcrita para órgão e executada por Lionel Rogg.

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