Por esta cena (vide
João 4, 13-14: “Jesus respondeu: ‘Quem beber desta água terá sede outra vez,
mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a
água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água a jorrar para a vida
eterna’”), por esta cena, digo, e pelo filme como um todo se entende por que
disse Pio XII que o cinema “poderia ter sido” a maior das artes. Porque, com
efeito, nesta mesmae imponente película se imiscuiu o mal. O roteirista do
filme, o terrível Gore Vidal, alterou radicalmente duas coisas com respeito ao
livro original: insinuou, ainda que imperceptivelmente para a maioria das
pessoas, uma relação homossexual entre Ben-Hur e Messala; e eliminou o final do
livro, ou seja, a conversão a Cristo do príncipe judeu Ben-Hur, limitando-se à
cura milagrosa de suas parentes leprosas. Há outros problemas, ademais; mas
baste aqui o dito.
El Cid cavalga já morto contra os mouros. Note-se em especial o rei e outros cavaleiros ajoelhados ao final e rogando a Deus: “Receba este que foi o mais nobre dos cavaleiros”. Charlton Heston é o ator épico por excelência, e Sophia Loren encarna perfeitamente Ximena, a mulher de El Cid. Ainda de destacar, a música da película, do grande compositor húngaro Miklós Rózsa. – Em tempo: o filme baseia-se na peça dePierre Cornaille Le Cid, e não na epopeia original anônima El cantar de mio Cid. Em certa cena, tem-se já um um odor de ecumenismo (há outro problemas, que porém não tratarei aqui). Por outro lado, porém, é verdade que El Cid conseguiu o apoio de certos chefes mouriscos minoritários contra os majoritários, assim como o Rei São Luis tentou atrair a aliança dos mongóis contra os turcos (infelizmente morreu, e seu filho e sucessor no trono não deu prosseguimento ao plano). E veja-se na parte final, na qual o rei, ajoelhado, roga a Deus que receba El Cid, que também o chefe mouro aliado está ajoelhado, ou seja, em posição cristã. E eis o grito de guerra da batalha final, dado pelo rei: “Por Deus, por El Cid, pela Espanha!”
Assim como não ouviríamos
esta magnífica e complexa sinfonia sem que a tivesse feito o compositor, e sem
que uma orquestra a executasse sob a regência de um maestro enquanto
representante do compositor, assim tampouco o universo existiria sem que o
tivesse criado a causa primeira – Deus –, e sem que os entes o executassem sob
a regência das causas segundas enquanto representantes de Deus. E, com efeito,
se do ângulo do espaço o universo é como um grandíssimo afresco, do ângulo do
tempo é como uma longuíssima sinfonia.
O primeiro já o ministrei
presencialmente. O segundo é o mesmo curso iniciado anos
atrás e suspenso por motivos de doença. Vem agora em formato mais exequível para
o atual momento; e com sua retomada como que pago uma dívida.
Anuncio-os desde já para que os interessados já se possam ir programando
em todos os sentidos. Ademais, é o tempo de que terei necessidade para gravar
tantas aulas (ao todo, 48).
Como quer que seja, parece-me que com estes dois novos cursos* dou grandes passos em direção à meta
que estabeleci para minha velhice: não só percorrer mas ajudar a percorrer a
longa estrada que conduz à Sabedoria.
Esta Abertura
é uma das mais originais das obras brucknerianas de estudo. Com efeito,
encontram-se nelas já importantes traços do futuro sinfonista, conquanto ainda
seja algo acentuada a presença de outros: Schubert, pela semelhança dos
primeiros compassos com Alfonso e
Estrella; e Mendelssohn, sobretudo pelo tema de seu Allegro principal. Mas
a feição geral é antes clássica. De fato, Bruckner pode aqui familiarizar-se com
a forma sonata, ainda que o faça antes para ir além dela.
Analisa-a Langevin:
«Adagio –
Allegro non tropo. 293 compassos, C, sol
menor.
Dois elementos fortemente contrastados formam a
matéria da introdução lenta: o tutti em salto de oitava (comp. 1), imediatamente
seguido de um solo de violoncelo (comp. 3) que se desenvolve brevemente segundo
um tratamento contrapontístico com reforço do ritmo. O Allegro principal toma
impulso, no compasso 23, nos violinos, sobre um staccato das violas. Logo,
largos acordes de toda a orquestra, aos quais respondem rápidas cascatas das
cordas, afirmam o caráter imponente que o compositor pretende dar à sua obra. A
melodia do segundo grupo (comp. 64, em si
bemol maior), igualmente tocada pelos violinos, é anunciadora dos grandes temas
líricos das futuras sinfonias: ninguém além de Bruckner teria podido escrever
este episódio, muito modulante, com a resposta, igualmente típica, das madeiras
(comp. 72).
O
desenvolvimento abre-se, no compasso 92, sobre os grandes acordes do primeiro
grupo. É extenso (100 compassos) e muito animado. A reexposição (comp. 192)
efetua-se regularmente no tom principal; é sensivelmente reforçada, e desemboca
numa vasta peroração (quase um segundo desenvolvimento!), fundada também na
ideia secundária do primeiro grupo. Quando reaparece o tema principal (comp.
281, na trompa), dá lugar ao que bem se pode chamar o primeiro traço de gênio de
Bruckner: uma resposta, de odor deliciosamente pastoral, dos clarinetes
seguidos dos oboés, sobre calmos conjuntos de cordas. E a orquestra inteira
une-se para os largos acordes conclusivos.
Composta de 24 de dezembro de 1862 a 23 de janeiro de
1863, a Overtüre foi impressa pela
primeira vez em 1921 (Universal Edition), com indicações de movimento e de
acentuação completadas por Josef von Wöss. No mesmo ano, foi executada sob a
regência de Franz Moissl.»