quarta-feira, 27 de outubro de 2021
Händel: Feuerwerksmusik ∙ hr-Sinfonieorchester ∙ Richard Egarr
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Uma belíssima peça de Anton Bruckner (1824-1896) para piano
Carlos Nougué
O católico Anton Bruckner é o compositor de meu coração, como digo e redigo em vários livros. Mas aqui me surpreendi. Não conhecia esta peça (composta ao mesmo tempo que sua Sinfonia n. 1), nem Brucker nunca se pretendeu um compositor-pianista. Eis todavia uma pequena obra-prima, em interpretação primorosa de Asiya Korepanova. Como o diz esta, “Erinnerung [Recordação] é uma verdadeira joia que [já] mostra a maneira de Bruckner de escrever os movimentos lentos de suas sinfonias, nos quais a melodia simples inicial se desenvolve gradualmente, apoiada por linhas secundárias sempre crescentes”. E destaco eu, primeiro, o modo como se resolvem cantavelmente, com um retorno à melodia incial, as ásperas dissonâncias do meio da peça; e, segundo, o final da mesma peça, no qual, como em tantos finais de movimentos sinfônicos de Bruckner, a música parece desprender-se da matéria.
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
terça-feira, 31 de agosto de 2021
segunda-feira, 23 de agosto de 2021
6 Fugas para Violino Solo, de Bartolomeo Campagnoli
Estas “6 Fugas para Violino Solo”, de
Bartolomeo Campagnoli, são mais uma magnífica demonstração da vitalidade no tardio século XVIII-XIX da Fuga, a forma musical barroca máxima.
00:01 Introduzione
01:24 Fuga I (Tempo giusto)
06:51 Prelude (Adagio)
07:46 Fuga II (Moderato)
12:54 Adagio
14:00 Fuga III (Maestoso)
18:36 Introduzione (Adagio)
19:57 Fuga IV (All.º non troppo)
24:59 Larghetto
25:58 Fuga V (Allegretto)
32:40 Andante sostenuto
33:25 Fuga VI (Tempo allo Breve)
segunda-feira, 16 de agosto de 2021
domingo, 15 de agosto de 2021
sábado, 7 de agosto de 2021
segunda-feira, 26 de julho de 2021
O “Stabat Mater” de Palestrina
Carlos Nougué
Mas Palestrina não deixava de ser um homem de seu tempo, o Renascimento, e compôs alguns madrigais (forma musical típica da época) com textos que ecoavam em algum grau, ainda, a pegajosa e enjoativa poesia dos trovadores cátaros ou influídos por estes. Esta poesia, nascida nos subterrâneos da heresia mais poderosa do século XII, nunca mais deixou de estar presente de algum modo nas artes (ou seja, na literatura, no teatro, no cinema, na música, de algum modo na pintura), até hoje; e atingiu sua perfeição daninha nas óperas de Wagner, no século XIX – é o gnóstico amor à morte fantasiado de paixões e idílios adúlteros e/ou impossíveis. E, afinal, ainda que já sem o fundo mais estritamente gnóstico, não é o que ouvimos até hoje na música popular, no jazz, no samba, na bossa-nova, no tango, no bolero, na canção francesa, etc.? O “chororô” meloso e a “dor de cotovelo” ainda avassalam a alma do povo: é mais emocionante e romântico um amor impossível ou perdido que um amor efetivo de que resultem matrimônio indissolúvel e filhos. – Mas, voltando à música erudita, se é verdade que Palestrina compôs poucos madrigais ao velho estilo dos cátaros Fedeli d’Amore, e compôs muitos madrigais espirituais que se inscrevem no melhor da música religiosa não litúrgica, o fato é que dos maiores compositores do século XIV aos dias de hoje só seis – salvo engano meu – escaparam totalmente à velha influência cátara: o católico John Browne (1453-1500), que só compôs música religiosa polifônica (e que só recentemente descobri); Francisco Luis de Victoria (1548-1611), sacerdote espanhol que só compôs música litúrgica polifônica; o católico Arcangelo Corelli (1653-1713); o luterano Johann Sebastian Bach (1685-1750); o católico Anton Bruckner (1824-1896); e o ortodoxo Arvo Pärt (1935- ). Alguns escaparam quase totalmente: Palestrina, como dito; o católico Heinrich Ignaz von Biber (1644-1704); o luterano Dieterich Buxtehude (1637-1707); o católico Michel-Richard Delalande (1657-1726); o católico François Couperin (1668-1733); o católico Jan Dismas Zelenka (1679-1745); o católico César Franck (1822-1890); o católico Charles-Marie Widor (1844-1937); Franz Schmidt (1874-1939); e poucos mais.
Mas escutemos o Stabat Mater de Palestrina.
sábado, 17 de julho de 2021
O texto integral do “Stabat Mater”
1
Stabat Mater dolorosa iuxta crucem lacrimosa dum pendebat Filius
–
Em pé, a Mãe dolorosa, chorando junto à cruz da qual pendia seu Filho
– De pé, a Mãe dolorosa junto da cruz, lacrimosa, via o Filho que pendia
2
Cuius animam gementem contristatam et dolentem pertransivit gladius
–
Cuja alma gemente, entristecida e dolorida por causa da espada que atravessou
–
Na sua alma agoniada
enterrou-se a dura espada de uma antiga profecia
3 O
quam tristis et afflicta fuit illa benedicta Mater Unigeniti
–
Oh, quão triste e quão aflita estava ela, a mãe bendita do Unigênito
–
Oh! Quão triste e quão aflita
entre todas, Mãe bendita, que só tinha aquele
Filho
4
Quae moerebat et dolebat et tremebat cum videbat nati poenas inclyti
Quae
moerebat et dolebat Pia
Mater dum videbat
nati poenas inclyti
–
Como suspirava e gemia [e tremia] a Mae Piedosa, ao ver os sofrimentos de seu
divino Filho
–
Quanta angústia não sentia a Mãe
piedosa quando via as penas do Filho seu
5
Quis est homo qui non fleret Matri Christi si videret in tanto supplicio?
–
Que homem não choraria se visse a Mãe de Cristo em tamanho suplício?
–
Quem não chora vendo isso,
contemplando a Mãe de Cristo num suplício tão enorme?
6
Quis non posset contristari Matrem Christi contemplari dolentum cum filio?
–
Quem não se entristeceria ao contemplar a Mãe de Cristo, condoída com seu
filho?
–
Quem haverá que resista se a Mãe
assim se contrista padecendo com seu Filho?
7
Pro peccatis suae gentis vidit Iesum in tormentis et flagellis subditum
–
Pelos pecados de seu povo, viu Jesus em tormentos e submetido aos flagelos
–
Por culpa de sua gente vira
Jesus inocente ao flagelo submetido
8
Vidit suum dulcem natum moriendo desolatum dum emisit spiritum
–
Viu seu doce nascido [Filho] morrer abandonado quando entregou seu espírito
–
Vê agora o seu amado pelo Pai
abandonado, entregando seu espírito
9
Eia Mater, fons amoris, me sentire vim doloris fac ut tecum lugeam
–
Eia, mãe, fonte de amor, faz-me sentir tanto as dores que eu possa chorar contigo
– Faze, ó Mãe, fonte de amor, que eu sinta o espinho da dor para contigo chorar
10
Fac ut ardeat cor meum in amando Christum Deum ut sibi complaceam
–
Faz que arda meu coração de amor por Cristo Deus, para se compadecer
–
Faze arder meu coração do
Cristo Deus na paixão para que Lhe possa agradar
11
Sancta Mater, istud agas crucifixi fige plagas cordi meo valide
–
Santa Mãe, faz isto: que as chagas do crucificado sejam fortemente impressas em
meu coração
–
O Santa Mãe, dá-me isto, trazer
as chagas de Cristo gravadas no coração
12
Tui nati vulnerati tam dignati pro me pati poenas mecum divide
–
As feridas de teu Filho, que por mim padeceu as penas, divide comigo
–
Do teu Filho que por mim
entrega-se à morte assim, divide as penas comigo
13
Fac me vere tecum flere crucifixo condolere donec ego vixero
Fac
me tecum
pie flere
crucifixo condolere donec ego vixero
–
Faz-me contigo [piedosamente] verdadeiramente chorar, sofrer com o crucificado
enquanto eu viver
–
Oh! Dá-me enquanto viver com
Cristo compadecer chorando sempre contigo
14
Iuxta crucem tecum stare te libenter sociare in planctu desidero
Iuxta
crucem tecum stare et
me tibi sociare
in planctu desidero
–
Quero estar contigo junto à cruz e, de boa vontade, quero associar-me a teu
pranto
–
Junto à cruz eu quero estar,
quero o meu pranto juntar às lágrimas que derramas
15
Virgo virginum praeclara mihi iam non sis amara fac me tecum plangere
–
Virgem das virgens preclara, não sejas amarga comigo, faz-me contigo chorar
–
Virgem, que as virgens aclara, não
sejas comigo avara, dá-me contigo chorar
16
Fac ut portem Christi mortem passionis eius sortem et plagas recolere
Fac
ut portem Christi mortem passionis fac consortem et plagas recolere
–
Faz que eu traga a morte de Cristo, que eu participe de sua paixão e que venere
suas chagas
–
Traga em mim do Cristo a morte,
da Paixão seja consorte, suas chagas celebrando
17
Fac me plagis vulnerari cruce hac inebriari ob amorem filii
Fac
me plagis vulnerari fac
me cruce inebriari
et
cruore filii
–
Faz-me ferido pelas chagas, pela cruz embriagado de amor pelo teu Filho
–
Por elas seja eu rasgado, pela
cruz inebriado, pelo sangue de teu Filho
18
Inflammatus et accensus, per te, Virgo, sim defensus in die iudicii
Flammis
ne urar succensus, per
te, Virgo, sim defensus in die iudicii
Flammis
orci ne succendar, per
te, Virgo, fac,
defendar in
die iudicii
–
Inflamado e abrasado, que eu seja defendido por ti, ó Virgem, no dia do Juízo
–
No Julgamento consegue que às
chamas não seja entregue quem por ti é defendido
19
Fac me cruce custodiri morte Christi praemuniri confoveri gratia
Christe
cum sit hinc (iam) exire da per matrem me venire ad palmam vicoriae
–
Faz-me ser guardado pela cruz, fortalecido pela morte de Cristo e confortado pela
graca
–
Quando do mundo eu partir,
dai-me, ó Cristo, conseguir por vossa Mãe a vitória
20
Quando corpus morietur fac ut animae donetur paradisi gloria.
Amen.
–
Quando meu corpo morrer, faz que minha alma alcance a glória do paraíso.
Amém.
–
Quando meu corpo morrer, possa
a alma merecer do Reino Celeste a glória.
Amém.
quarta-feira, 14 de julho de 2021
O "Stabat Mater"
Carlos Nougué
Stabat Mater (“Permanecia a Mãe [de Cristo]”) é como se chamam dois hinos católicos: um deles também conhecido como Stabat
Mater Dolorosa (“Permanecia a Mãe dolorosa”), e o outro
também conhecido como Stabat Mater Speciosa (“Permanecia formosa a Mãe”). Mas Stabat Mater puro
e simples é mais usado para o Stabat Mater Dolorosa, hino do século XIII atribuído já ao franciscano Jacopone da Todi, já ao Papa Inocêncio III.
O Stabat Mater Dolorosa
é dos hinos cristãos mais pungentes: fala das dores de Maria Santíssima durante
a crucificação de seu Filho.
Como sequência litúrgica, o Dolorosa foi supresso, juntamente com muitas outras, pelo Concílio de Trento, mas retornou ao missal por determinação do Papa Bento XIII em 1727, para a festa de Nossa Senhora das Dores.
Desde o século XVI, o texto do nosso Stabat Mater serviu para composições musicais (algumas litúrgicas, mas a larga maioria não litúrgica) de vários e grandes artistas, entre os quais Palestrina, Vivaldi, Pergolesi, Haydn, Schubert, Rossini, Verdi, Liszt, Dvořák e Arvo Pärt. Vamos publicá-las aqui (estas e outras) ao longo dos dias. Começamos hoje, porém, com a insuperável sequência litúrgica Stabat Mater em gregoriano, de compositor anônimo.
domingo, 10 de maio de 2020
A capa de meu novo e quinto livro
sábado, 1 de julho de 2017
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Alfonso X el Sabio (1221-1284): "Cantigas de Santa Maria"
segunda-feira, 5 de junho de 2017
Bach - Mass in B minor, BWV 232 (Helmuth Rilling & Anne Sofie von Otter)
sábado, 3 de junho de 2017
Liszt - Années de Pèlerinage (Complete)
Eglogue (33:17)
Le Mal du Pays (36:01)
Les Cloches De Geneve_ Nocturne (42:07)
Deuxième Année : Italie / Year 2 : Italy
Sposalizio (48:26)
Il Pensieroso (56:39)
Canzonetta Del Salvator Rosa (1:01:18)
Sonetto 47 Del Petrarca (1:04:07)
Sonetto 104 Del Petrarca (1:09:24)
Sonetto 123 Del Petrarca (1:16:05)
Après Une Lecture De Dante_ Fantasia Quasi Sonata (1:23:11)
Supplément : Venice & Naples / Venezia E Napoli
Gondoliera (1:40:10)
Canzone (1:46:10)
Tarantella (1:50:09)
Troisième Année / Year 3
Angélus! (1:59:28)
Aux Cypres De La Villa D'Este #1 (2:09:42)
Aux Cypres De La Villa D'Este #2 (2:17:01)
Les Jeux D'Eaux À La Villa D’Este (2:27:56)
Sunt Lacrymae Rerum, En Mode Hongrois (2:35:40)
Marche Funèbre (2:43:36)
Sursum Corda (2:51:48)
