Grande música, e grande o violoncelista húngaro.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
Dois monumentos à beleza
1) Schubert, Quinteto 596
Observação: Já se havia publicado aqui
uma interpretação desta obra, a cujo Adagio o pianista Arthur Rubinstein chamava
“the entrance to heaven”; mas esta versão é muito superior àquela. Destacam-se em particular a primeiro violino e o primeiro violoncelo.
2) Mozart Clarinet Concerto K. 622
Observação: Repare-se especialmente na delicadeza do Adagio. É
a paz em música.
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Carlos Nougué
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013
A Arte do Piano Elevada à Perfeição - Glenn Gould: Bach Goldberg Variations 1981
C. N.
Como diz Sylvio Lago, as
execuções gouldianas de Bach são “apuradas em todos os sentidos, com um toucher primoroso e que pela sua
perfeição nos permite imaginar um bordado traçado a mão livre”. Tudo aqui é perfeito:
completo domínio da dinâmica do instrumento, com extraordinária acumulação de
intensidade; raro equilíbrio das duas mãos e rara capacidade de sustentação rítmica;
além de absoluta prevalência da clareza polifônica – como já se disse, ouvir a
Gould é como ver uma radiografia da música. Esteja ele a imprimir-lhe uma
lentidão quase musicalmente impossível, ou a atacar o teclado com virilidade inigualável,
eis que se nos depara cada nota em toda a sua limpidez. Mais: eis que se nos
depara o mesmo Bach em toda a sua luminosidade.
Em
tempo:
Todas e quaisquer excentricidades são de todo acidentais ao que de fato nos
interessa aqui: a música.
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Carlos Nougué
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23:08
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sábado, 16 de novembro de 2013
Uma pérola: J. S. Bach, Concerto for 4 Pianos and Orchestra, BWV 1065
Música superior (vide especialmente
o segundo movimento), grandes músicos e, uma vez mais e sempre, a incalculável
superioridade dos instrumentos modernos.
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Carlos Nougué
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sábado, 1 de junho de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
“Pange, lingua”: (parte do) poema de Santo Tomás de Aquino em música de Anton Bruckner
Pange, língua, gloriosi
Canta, ó língua, o mistério
corporis mysterium,
deste Corpo glorioso,
sanguinisque pretiosi
e do Sangue precioso
quem in mundi pretium,
derramado sobre o mundo,
fructus ventris generosi,
fruto de ventre fecundo,
rex effudit gentium.
Rei de todas as nações.
Amen.
Amém.
Amém.
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Carlos Nougué
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“Bruckner era ‘demasiado’ católico para os moldes do Romantismo musical”
![]() |
| Anton Bruckner |
C. N.
Escreveu-nos Arai Daniele, como sempre muito gentilmente, após escutar o Requiem de Bruckner (vide O “Requiem em Ré menor” de Anton Bruckner):
“Nós podemos compreender, já no Requiem,
porque Bruckner foi pela sua música isolado e tantas vezes maltratado: no
seu baixo contínuo transparece a hora de tristeza, mas igualmente da glória do
Céu. Era ainda muito «católico» para os novos moldes do Romantismo
musical!”
Precisas palavras. Para que se confirmem – não bastasse a própria e sublime
música do compositor austríaco –, leiamos o que diz Alfred Einstein,[1]
um dos principais historiadores, intérpretes e admiradores do Romantismo musical:
“[Bruckner] não se enquadra em seu tempo senão na medida em que sua arte
é inconcebível sem o exemplo dos anteriores Beethoven e sobretudo Schubert e sem
a adoção que este fez da grande orquestra sinfônica do século XIX. Quanto ao mais, sua obra situa-se – em oposição à de Brahms, com seu caráter póstumo – quase fora do tempo. Ele [Bruckner] retoma com
toda a ingenuidade a grande forma quadripartida da sinfonia
beethoveniana e da Sinfonia em Dó maior de
Schubert, no quadro da qual inscreve por seu turno um conteúdo inteiramente pessoal e puramente musical, isento de todo ‘programa’ [...]. Na verdade, sua
música sinfônica não tem nada que ver com tais puerilidades ou trivialidades
[ou seja, com nenhum conteúdo programático]. Ela é saída da mesma fonte que sua música sacra, isto é, de
profunda religiosidade; seus movimentos lentos, tal como seus primeiros movimentos
e seus finali, encerram sempre o
caráter de um colóquio com Deus.[2]
As correspondências temáticas e simbólicas de suas sinfonias com suas missas e
seu Te Deum são aliás manifestas.
Ademais, entre todos esses primeiros ou últimos movimentos, não se encontra um
só Presto, e nem sequer um [autêntico] Allegro. Nenhuma paixão. Seu andamento é sempre solene, como o de
uma procissão, e o movimento não se afasta jamais de sua calma; mas esse
movimento não é o de uma emoção pessoal.[3]
[A música de Bruckner é] de suprema pureza e inscreve-se [, sim, de algum modo,] no quadro
tradicional, mas em relação com um mistério perceptível a nossos sentidos pela
irradiação sonora das cordas e sobretudo dos sopros; plena de pujantes crescendi que geralmente terminam numa apoteose quase barroca de todos os metais;[4]
monumental e ao mesmo tempo terna em seus menores
detalhes harmônicos e melódicos.[5] [A sinfonia bruckneriana] é arte
intemporal, vigorosa e monumental [...]”.
Quanto a nós, após um necessário excurso pelo que se pode e deve
aproveitar do Romantismo musical, confessamos: é com certo alívio e grande gosto que
voltamos ao leito da música de Anton Bruckner, efetivamente intemporal e sempre boa simpliciter.
[1] Em La musique romantique, tradução do inglês Jacques Delalande, Paris,
Galimard, 1959, pp. 187-188. – Os negritos serão nossos.
[2] Mas também seus Scherzi: sob a aparência de retrato da
calorosa paisagem austríaca, pulsa um intenso Gloria.
[3] Que maior diferença
pode haver com respeito à música iniciada por Beethoven, sempre egocentrada? –
O que porém Alfred Einstein não consegue captar é que, sem deixar de expressar uma emoção
religiosa objetiva, toda e qualquer música verdadeiramente católica tampouco
deixa de expressar uma emoção individual. Apenas, é uma emoção individual que
não se separa da emoção sentida por toda a Igreja, objetiva porque fundada na
objetividade suprema e comum da Fé, da Esperança e da Caridade.
[4] Trata-se sempre de um Alleluia.
[5] Como um correlato laico,
exatamente, de uma grande Missa solene, episcopal ou papal.
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Carlos Nougué
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Como penetrar o “De Institutione Musica” de Boécio
C. N.
Esta preciosidade filosófica pode, à primeira
vista, assustar o leitor leigo moderno, e não poucos já nos escreveram
dizendo-a impenetrável. Não o é. Naturalmente, sua leitura exigirá certo
esforço matemático, até porque boa parte de suas fórmulas Boécio as deixa
irresolutas. Para penetrar este
mundo, porém, basta antes de tudo sentar-se diante de um piano, onde,
obviamente, há teclas pretas e brancas; a cada grupo de duas brancas sucede-se um
grupo de três pretas, e vice-versa. Toque-se a tecla branca anterior a um grupo
de duas pretas e, depois, a branca anterior ao grupo seguinte de três pretas:
ver-se-á então que o som extraído da segunda tecla branca é mais agudo que o da
anterior. Pois bem, a diferença de altura musical entre as duas teclas
constitui o que se chama intervalo de
quarta; e, se agora se toca outra vez aquela primeira tecla branca e depois
a tecla branca que se segue à primeira preta do segundo grupo de três pretas,
perceber-se-á que a altura musical é maior que a anterior – é o intervalo de quinta. Se se nota, ademais:
a) que dos intervalos anteriores se podem
derivar todos os intervalos musicais;
b) que, quando entre duas teclas brancas há
uma preta, o intervalo musical entre aquelas é de um tom;
c) e que entre duas brancas consecutivas (sem
mediação de uma preta) o intervalo é de um semitom;
ter-se-á penetrado
o universo da música e dado um primeiro passo com respeito à obra de Boécio. Para poder enfim penetrá-la, não se necessita, além dessas simples noções musicais, senão de meros rudimentos matemáticos:
• soma, subtração, multiplicação e divisão de
números positivos (inteiros e fracionários);
• ordenação de números fracionários.
O mais é esforço intelectual, sempre recompensado
pelo repouso na Verdade.
Em tempo: A melhor tradução que conhecemos da obra de
Boécio é a de Salvador Villegas Guillén ao espanhol (Anicio Manlio Torquato
Severino Boecio, Tratado de música, Madri, Ediciones
Clásicas Madrid, 2005).
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Carlos Nougué
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domingo, 13 de janeiro de 2013
“Glenn Gould foi o maior pianista deste século [XX]” (Karajan)
C. N.
Lemos muito recentemente:
a música de Bach pode ser tocada, sim, em piano, mas corre o risco de ganhar
“materialidade”. Entende-se o móvel da afirmação: mesmo a música profana do
compositor alemão tinha um quê de espiritualidade religiosa, o qual se perde
com a interpretação pianística. Mas o piano dá mais “materialidade” à música de
Bach que o cravo, esse instrumento de sonoridade altamente metálica e
semipercussivo? Se se trata do modo romântico de tocar o piano, com sua
projeção múltipla e prolongada dos harmônicos por um uso radical dos pedais –
como numa peça de Liszt, em que as notas como que se embaralham no empuxo de um
teclado percorrido longa e furiosamente –, talvez. Mas não se se trata do modo
gouldiano de tocar Bach. Já se disse que o pianista canadense usava o piano
como se fosse um cravo. Não é fato. O que ninguém como ele conseguiu, isto sim,
foi combinar certa maneira de atacar as teclas – como que as acariciando com dedos talhados para o instrumento[1]
– e um uso parco e sapientíssimo dos pedais. Garantia com isso, sim, a
superioridade do piano sobre o cravo quanto à projeção dos harmônicos, mas
mediante uma dinâmica perfeita que, indo do staccato
ao ataque mais viril das teclas, assegurava aquela “espiritualidade” da
música de Bach. Mais ainda: tocando
Bach, Glenn Gould fazia uma como radiografia da música (a expressão não é nossa). Por quê? Porque, sem
perder, repita-se, as vantagens harmônicas do piano, fazia ouvir cada nota até na fuga mais intricada e
de andamento mais acelerado. E que dizer da maneira quase impossível, no limite
do musical, com que sustentava os andamentos mais lentos?[2]
Pois bem, comparem-se o
Bach tocado por Gould e o tocado por qualquer
outro pianista, e ver-se-á por que o maestro Herbert von Karajan (um dos
maiores) disse o que se lê no título deste artigo; por que o violinista Yehudi
Menuhin (um dos maiores) disse que Gould era “o mais inspirado dos pianistas”; por
que o violoncelista Mstislav Rostropovich (igualmente
um dos maiores) disse que o pianista canadense era “sem igual”; por que o próprio
pianista russo Sviatoslav Richter (considerado um virtuose) teve de reconhecer que Gould tocava Bach melhor
“até” que ele mesmo (“porque estudava mais”...); etc. Certamente, tocando Mozart
ou qualquer romântico Gould era inferior – em verdade, não os suportava.
Igualmente é certo que se tratava de homem extremamente excêntrico.[3]
Ademais, não era propriamente agradável vê-lo tocar: sentava-se num banquinho
tão baixo, que quase lhe deixava o rosto à altura do teclado; curvava-se cada
vez mais, com a idade e a perda da visão, para adquirir ainda maior proximidade
com as teclas; girava o corpo enquanto tocava como se o usasse como a um
metrônomo; cantarolava as peças enquanto as executava como que para assegurar-se
de sua memória grandíssima (o mesmo Cravo
Bem Temperado ele tocava-o inteiro sem partitura...), e por vezes sua
voz rouca se ouve nas próprias gravações; etc. Como todavia tudo isso perde
importância diante da música bachiana de Gould, com toda a sua leveza, com toda
a sua “espiritualidade”, com toda a sua mescla perfeita de clareza, virilidade
e sublimidade artísticas!
Veja-se o vídeo publicado
na próxima postagem (de Gould tocando a belíssima Partita n. 4 em D maior,
BWV 828)[4]
e constate-se tudo quanto acabamos de dizer. Que outro pianista, insista-se, é
dono de comparável toucher e de
comparável dinâmica na arte de interpretar o mestre Bach?
[1] Veja o curioso caso do
espanhol Andrés Segovia: ele é talvez o violonista mais expressivo; mas suas
mãos e dedos gordos, claramente não apropriados para o instrumento, o faziam
perder em limpidez técnica, por exemplo, para John Williams ou para Julian
Bream. Gould é para o piano o que seria para o violão uma mescla de Segovia e
Williams.
[2] Os autenticistas – ou seja,
os que tocam o Barroco com “instrumentos e/ou modo de época” (voltaremos ao
assunto) –, além de, em grande parte dos casos, tornar anêmica a música de
Bach, tendem a acelerá-la muitíssimo; e isto se dá mesmo com autenticistas
moderados, como o maestro Rilling (compare sua pálida e acelerada interpretação
das Cantatas de Bach com a interpretação vigorosa e de andamento variado que
Karl Richter lhes empresta). Ora, Gould passa olimpicamente por cima desse
historicismo arbitrário, e dá à música de Bach toda a gama possível e alternada
de andamentos. É preciso insistir em quanto ganha com isso a música do
compositor alemão?
[3] Contra a “tradição” que
o dizia assexuado, quer-se hoje imputar-lhe um caso adúltero com a anuência do
marido. Quem o assegura? Esse mesmo casal, convenhamos, nada digno e nada confiável,
que só o trouxe a lume após a morte do músico... Nada se sabe ao certo de sua
vida privada, que Gould sempre manteve absolutamente reservada. Era de origem
protestante (salvo engano, puritana), e abominava as apresentações públicas;
logo as deixou em troca dos estúdios de gravação. Era hipocondríaco, e morreu
de um AVC quase fulminante aos 49 ou 50 anos – talvez pelo excesso de remédios.
Mas não estamos tratando aqui tão somente da música de Gould? Em algum grau sua
música extrapola os limites em que a suma Ciência cinge esta arte? Contraria o
fim a que Ela ordena todas as artes? Conquanto a resposta a essas indagações
necessite do aprofundamento que só um livro lhe pode fornecer, já se pode porém
dizer com total segurança: não, não os contraria de modo algum. Não só toda e
qualquer Verdade é católica; também o é toda e qualquer Beleza simpliciter.
[4] As Partitas afiguram-se-nos como as peças mais importantes e mais sublimes do Bach
instrumental profano.
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Ainda sobre os princípios do blog A Boa Música
C. N.
Sobretudo pelo inusitado
(no mundo moderno) da posição deste blog quanto
às artes em geral e à música em particular (vide
nossa Apresentação), convém de vez em quando repisá-la. E fazemo-lo aqui da
forma mais simples: cabe à sacra Teologia não só determinar o fim último de
todas as ciências (especulativas ou práticas) e de todas as artes, mas, em
razão disso, cingir o campo em que todas podem desenvolver-se. Naturalmente,
nenhuma peça musical, ainda que se destine ao fim justo, pode ser boa se for
artisticamente falha; mas nenhuma peça musical artística ou tecnicamente
conseguida será simpliciter boa se
não se sujeitar ao fim e aos limites que lhe dita a sacra Teologia. E isto
decorre do mais singelo dos raciocínios: se tudo se ordena ao Fim último,
incluindo os objetos imediatos ou os fins intermediários (no caso da música,
criar beleza sonora e deleitar ou enlevar o ouvinte), e se a sacra Teologia está
sob a luz da ciência do próprio Fim último, então nada mais natural que caiba a
ela o dito acima. Um exemplo para encerrar – por ora – o assunto: a Apassionata de Beethoven é
conseguidíssima do ângulo técnico-artístico; mas, porque expressa uma
exacerbação apaixonada que arrasta o ouvinte, e porque tal exacerbação é contrária
aos limites ditados pela sacra Teologia, não se pode dizer boa simpliciter. Outro exemplo: um nu
perfeitamente esculpido e perfeitamente sensual não se pode dizer arte simpliciter boa – e deve ser evitado.
Voltaremos ao tema não só aqui, mas, muito mais aprofundadamente, em livro.
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Carlos Nougué
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Quando Bach encontra seu intérprete por antonomásia
E veja-se uma vez mais a imensurável superioridade dos instrumentos modernos.
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
“Sinfonia n. 8 – A Grande”, de Schubert (com a BRSO sob a regência de Maazel)
Se se compara, em termos de extensão, com as Sinfonias de Bruckner, esta é de tamanho médio. Mas é de fato grande em extensão se se compara às de todos os demais compositores, incluindo, naturalmente, o próprio Franz Schubert. Sobretudo, porém, é grande em qualidade. Imensamente superior a todas as demais do próprio Schubert, só não é superior, a nosso ver, às quatro Sinfonias de Franz Schmidt e, especialmente, às de Bruckner. Sem deixar de ser romântica, é grandemente clássica, e de luminosidade só alcançada, no Romantismo, pela Nona Sinfonia de Dvořák e pela Segunda de Brahms (das quais também se publicará aqui algum vídeo).
De notar, nesta interpretação perfeita da Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks, a regência do maestro Lorin Maazel (ainda vivo, salvo engano).
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“Quinteto em Lá maior – A Truta”, de Schubert, com Barenboim, Perlman, Zukerman, Du Pré, Mehta
Tudo aqui funciona à perfeição. A peça é extraordinária, contagiante; e extraordinários são os músicos, com destaque para Jacqueline du Pré, infelizmente falecida aos trinta e poucos anos de esclerose múltipla. Ela supera, em nossa opinião, até o mesmo Rostropovich. E cresce a importância deste vídeo pelo fato de a peça não ter sido gravada por este grupo.
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O melhor do Romantismo (I): os pontos altos de Schubert
C. N.
Como o explica suficientemente Alfred Einstein em sua biografia de Franz Schubert (1797-1828), este compositor austríaco desde o início se debateu entre duas influências: a de Beethoven e sua exacerbação apaixonada, que Schubert dizia repudiar, mas cujo peso, de modo geral, era então muito grande; e a do classicismo anterior. Diga-se, aliás, algo semelhante de Brahms, que destruiu todas as suas partituras que julgava demasiado românticas. Mas com uma diferença: enquanto este, se se excetua sobretudo sua Segunda Sinfonia e poucas outras peças, substituiu tal radicalismo por uma música grandemente soturna (ainda que raramente destituída de alguma beleza), Schubert, por seu lado, quando superava suas próprias limitações (com efeito, suas primeiras Sinfonias são de qualidade inferior) e a influência da exacerbação apaixonada do Romantismo, fazia música de delicadeza, claridade e sublimidade raramente alcançadas nesta corrente musical (lembremo-nos de que Bruckner não é propriamente romântico). É o caso de sua Nona Sinfonia (“a Grande”) e de seus Quartetos e Quintetos de Cordas. Entre estes se destacam, muito especialmente, o Quinteto chamado A Truta e, ainda mais especialmente, o Quinteto em Dó maior, D. 956, Opus 163 (para dois violinos, viola e dois violoncelos).
Publicaremos aqui essas três peças em vídeo, a começar pelo último Quinteto (na postagem seguinte a esta). Como disse o pianista Artur Rubinstein, esta peça, e em particular seu Adagio, é como “a entrada para o céu”. Como toda peça artística, porém, não pode ser senão um primeiro passo: parafraseando ao Platão do Banquete, digamos que pode ser um primeiro degrau para a ascensão do belo sensível ao Belo suprassensível – o Belo propriamente dito.
Antes de tudo, pois, escutemos as palavras do grande pianista.
[Entre as gravações da Nona Sinfonia de Schubert, agrada-nos particularmente a de Günter Wand; entre as dos Quartetos completos, a do Melos Quartett Stuttgart; entre as d'A Truta, tanto a de Jorg Demus como a do Borodin Quartet; e, entre as do Quinteto em Dó maior, D. 956, muito especialmente a do Brandis Quartet.]
[Entre as gravações da Nona Sinfonia de Schubert, agrada-nos particularmente a de Günter Wand; entre as dos Quartetos completos, a do Melos Quartett Stuttgart; entre as d'A Truta, tanto a de Jorg Demus como a do Borodin Quartet; e, entre as do Quinteto em Dó maior, D. 956, muito especialmente a do Brandis Quartet.]
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domingo, 23 de dezembro de 2012
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Magnífico Prelúdio do Mestre Franz Schmidt
Este Prelúdio, Franz Schmidt o vai repetir como o “Aleluia” n’O Livro dos Sete Selos. É música tipicamente austro-húngara, e ao mesmo tempo de elevada religiosidade. Cada vez mais o compositor se nos afigura um verdadeiro Mestre.
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Duas pequenas obras-mestras de Agustín Barrios Mangoré (1885- 1944)
O compositor e
violonista paraguaio Agustín Barrios deixou-nos uma vasta obra. A primeira peça
que pomos aqui – Una Limosna por el Amor
de Dios (Uma Esmola pelo Amor de Deus) – é sua última composição, composta à beira da morte e após ouvir uma
velha mendiga bater-lhe à porta para pedir esmola. Não há como evitar, porém,
ouvir nesta pequena sublimidade um pedido do próprio Barrios: que Deus lhe
desse a esmola da salvação.
A outra peça, dividida
em três partes, foi composta após a emoção verdadeiramente religiosa que o
compositor sentiu ao conhecer a catedral de Montevidéu. É peça bachiana do
início ao fim.
Ao instrumento em
ambas as peças, um dos maiores violonistas: John Williams.
Una Limosna por el Amor de
Dios:
La Catedral:
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domingo, 18 de novembro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Anton Bruckner : Quintette à 2 altos en Fa majeur
Como disse um crítico, este Quinteto de Bruckner é de felicidade, de perfeição tal, que chega a “doer”. Particularmente de notar é o Adagio, de grande beleza.
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Carlos Nougué
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