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quarta-feira, 15 de julho de 2015

As sinfonias de Gustav Mahler


C. N.

O tcheco-austríaco Gustav Mahler (1860-1911) foi o maior dos herdeiros de Anton Bruckner; mas sua produção sinfônica, ao contrário da de Franz Schmidt e da de Richard Wetz, é muito desigual. Judeu converso – de conversão que, ao contrário do que comumente se diz, julgamos sincera, ainda que imperfeita –, seus pontos altos sinfônicos (a Segunda, a Terceira e a Quarta Sinfonia) refletem de algum modo tal conversão. Mas também são belas sua Quinta e sua Sexta Sinfonia, apesar de o último movimento de ambas não estar à altura do restante. A Primeira Sinfonia é como um ensaio. A Sétima, como se verá (publicaremos as nove que o compositor completou), é, perdoe-se-nos a crueza, insuportável em sua cacofonia; a Oitava é esquizoide: suas duas partes não se conjugam adequadamente entre si (a primeira parte, cujo enorme coral canta o hino Veni Creator Spiritus, tem uma das mais belas e mais longas fugas da história da música; a segunda parte, que termina com o gnóstico goethiano do Eterno Feminino, é antes operística, e, sem ser cacofônica, não alcança a altura da primeira parte); a Nona, por fim, um adeus demasiado humano à vida, não deixa porém de ter alguma beleza. 
     OBSERVAÇÃO. A Segunda, a Terceira e a Quarta Sinfonia terminam em canto. Nisso Mahler seguia a Beethoven e sua Nona Sinfonia e a Bruckner e seu desejo de que sua Nona se completasse com seu próprio Te Deum

Fique-se hoje com a Primeira Sinfonia de Mahler.        


sábado, 4 de julho de 2015

Bruckner - Symphony No 8 - Celibidache - Münchner Philharmoniker


A “Oitava Sinfonia” de Bruckner – outro monumento musical


C. N.

O regente romeno Sergiu Celibidache considerava a Oitava Sinfonia de Bruckner o ápice da arte sinfônica. Talvez tivesse razão. Como quer que seja, é de notar nela o seguinte.
1) É a mais extensa sinfonia de Bruckner, mas, apesar disso, é de todas aquela cujos movimentos mais afinidade ou conexão (melódica, harmônica, etc.) têm entre si, no que quase se equipara à Quarta Sinfonia de Franz Schmidt, de apenas um movimento.
2) Não é tanto como a Sétima uma como oração, senão que, talvez ainda mais que a Quarta, a Quinta e a Sexta, lembra, por um lado, as trombetas do Antigo Testamento e desenha perfeitamente, por outro, antecipando a Nona, a épica que vai do surgimento de um homem no ser à sua chegada feliz à eternidade. Para tanto, como na Nona, ajuda muito a inversão de ordem entre o Scherzo e o Adagio (pela primeira vez em Bruckner este vem em terceiro e aquele em segundo).* Voltaremos a falar disto ao tratar a Nona do nosso compositor.
3) A explicação que, por pressão de amigos que queriam ajudá-lo a fazer da Oitava um êxito de público, Bruckner aceitou dar da Oitava (como já o aceitara com respeito à Quarta) é pueril e nada tem que ver com sua música, que, com efeito, está muito acima de efêmeros sucessos políticos, etc.
Para muito mais sobre a Oitava de Bruckner, vide A “Oitava Sinfonia” de Bruckner (e um vídeo com Karajan e a Filarmônica de Viena interpretando-a) e o vídeo da próxima postagem.




*   Quem o usou pela primeira vez foi Beethoven (e Bruckner se inspirou diretamente nele), esse compositor genial mas cuja genialidade se perdeu para o dionisíaco, para o apaixonado, para a glorificação do homem. Com efeito, na primeira execução de sua Quinta Sinfonia o público, na saída, estava completamente desnorteado, como egresso de um culto extático: não sabia sequer onde tinha deixado o chapéu ou o sobretudo. Quanto à sua Sétima, não a quis executar a orquestra contratada: “Está louco Beethoven”, disse o spalla diante do ritmo desenfreado da peça. E, quanto à sua sinfonia mais ambiciosa, a Nona (de início estupendo, que influirá em Bruckner para o início de sua Nona, e de Adagio belíssimo), é, propriamente falando, o oposto de todas as sinfonias de Bruckner: enquanto estas são uma ode a Deus, a de Beethoven é uma ode ao homem – como se vê tanto pelo “Hino à Alegria”, de Schiller, cantado no último movimento, como pela mesma música que o acompanha. Não estou sozinho no pensá-lo: todas as vezes que o cineasta russo Andrei Tarkovski (o maior de todos) quis contrapor em seus filmes o homem terreno ao homem ordenado a Deus interrompia bruscamente o movimento final da Nona de Beethoven para substituí-lo ou por uma peça de Bach ou por “sons do sobrenatural” (como em Nostalgia ou em Stalker). – Quem se valerá magnificamente da invenção beethoveniana de terminar uma sinfonia com canto será Mahler (em suas três melhores sinfonias, a Segunda, a Terceira e a Quarta, da quais falaremos nesta página).  

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A arte sinfônica de Anton Bruckner: o cume da música instrumental


C. N.

 

Eu havia anunciado uma série (“A Sinfonia”) para esta página em que se trataria, uma a uma, a produção sinfônica dos maiores compositores. Não me será possível, todavia, levá-la a efeito, justo porque estou escrevendo o longo Das Artes do Belo: Imitação e Fim, que espero se lance no fim deste ano para fazer de algum modo par com a Suma Gramatical da Língua Portuguesa (vide “A Suma Gramatical da Língua Portuguesa” será lançada em julho de 2015 pela editora É Realizações). Pois bem, em Das Artes do Belo se trata extensamente cada uma destas artes, e na seção atinente à Música se trata muito especialmente a sinfonia, de modo ainda mais aprofundado do que se faria na referida série.

Não obstante, para que de algum modo não se frustre o anunciado para esta página, principiam-se a publicar aqui, hoje, vídeos com as mais importantes sinfonias, a começar pelo cume da arte sinfônica: o conjunto constituído pelas nove sinfonias de Anton Bruckner. Em tais vídeos, sempre alguma ótima execução por grande maestro e grande orquestra; às vezes, para a mesma sinfonia, publicar-se-ão dois vídeos, para permitir comparação entre a concepção diversa dos regentes.

Abaixo, pois, a Primeira Sinfonia de Anton Bruckner e links para artigos desta página sobre o compositor. Um esclarecimento prévio: a produção sinfônica de Bruckner, toda ela superior, divide-se porém em três fases: na primeira estão a Primeira, a Segunda e a Terceira Sinfonia; na segunda, a Quarta, a Quinta e a Sexta Sinfonia; e na terceira, enfim, a Sétima, a Oitava e a Nona Sinfonia. Na primeira fase, Bruckner como que vai forjando seus modos e meios sinfônicos; na segunda, já os aplica admiravelmente (especialmente na Quinta); na terceira, porém, atinge com eles o cume referido no título desta postagem. Não há, com efeito, sinfonia como estas três – perfeitas poieticamente, perfeitamente épicas, e perfeitamente ordenadas à Eternidade.    

 

Bruckner: música maior e católica em meio ao romantismo


“Bruckner era ‘demasiado’ católico para os moldes do Romantismo musical”




segunda-feira, 15 de junho de 2015

J.S. Bach "Italienisches Konzert" BWV 971 - Albrecht Mayer - Oboe


Bach Double Violin Concerto - Yehudi Menuhin And David Oistrakh (sound HQ)


Chaconne BWV 1004 by J S Bach Transcription by Andres Segovia with Sheet...


J.S. Bach Chaconne - Yehudi Menuhin 1956


Bach Chaconne for Four Cellos


Johann Sebastian Bach, Chaconne aus BWV 1004 (bearbeitet für Violoncello)


    Esta beleza suma foi composta por Bach em honra da esposa recém-falecida. Note-se que não há repetição alguma de frase ou trecho melódico. Escrita originalmente para violino, adequou-se perfeitamente ao violoncelo pelas mãos deste jovem e talentoso instrumentista.